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Caminho de Ferro de laramanjat (1870 - 1877)

A construção das linhas:

Como semelhantes empreendimentos requeriam avultados capitais, difíceis de obter no país, o Governo autorizou em 27 de Fevereiro de 1872, o trespasse de todas as concessões para uma companhia inglesa, organizada para levar a efeito a construção e a exploração dos caminhos de ferro Larmanjat. A Companhia denominava-se The Lisbon Steam Tramways Company, Limited, vulgarmente conhecida por Companhia de Tramways a vapor.
Instalados os escritórios no largo de S. Sebastião da Pedreira, rapidamente esta companhia meteu mãos à obra, construindo as novas linhas, uma de Lisboa a Sintra, com a extensão de 26 km e a outra entre Lisboa e Torres Vedras, com a extensão de 54 km, que corriam em quase toda a sua extensão através das estradas reais, havendo pequenos desvios na Porcalhota, no Cacém e em Rio de Mouro. Sendo estas, das concessões as únicas que chegaram a ser construídas. A estação de origem e comum ás duas linhas, em Lisboa, ficava agora ás Portas do Rego, para as bandas de S. Sebastião da Pedreira.
Finalmente, na manhã de 2 de Julho de 1873, pelas 9 horas, partia da estação das Portas do Rego o comboio que iria inaugurar a linha de Sintra. Nas quatro carruagens de 1ª classe, rebocadas pela locomotiva Lumiar viajavam, entre outros convidados, o Director Geral das Obras Públicas, os construtores ingleses William Major e Trevethich, este último autor de alguns melhoramentos introduzidos no sistema Larmanjat, e os engenheiros portugueses Vítor Lecocq, D. António de Almeida, Libânio do Vale e Mendes Guerreiro.
O comboio fez a viagem em 1h55, com três paragens, em duas das quais a locomotiva se abasteceu de água.
Pelas 16h15 o comboio inaugural regressava ás Portas do Rego sem qualquer acidente.
A abertura ao público só teve lugar três dias depois. A linha de Sintra, com 26 km de extensão, servia as seguintes estações: Sete Rios, Benfica, Porcalhota (Amadora), Ponte de Carenque, Queluz; Cacém, Rio de Mouro, Ranholas e Sintra. A viagem demorava duas horas entre a capital e a vila de Sintra, pagando-se 550 reis em 1ª classe e 400 reis em 3ª classe. Havia ainda bilhetes de ida e volta aos preços de 900 e 700 reis, respectivamente, em 1ª e 3ª classes, válidos desde sábado até segunda-feira.
Trabalhava-se também com afinco no assentamento da linha de Torres Vedras e não tardaram muitos meses que ela não fosse inaugurada. Na quinta-feira, 4 de Setembro de 1873, pelas 6h25, partia da estação de Portas do Rego, a caminho de Torres Vedras o comboio inaugural formado por quatro carruagens de 1ª classe onde viajavam os convidados da Companhia. E foi entre aplausos e manifestações de alegria que o comboio após 4h20 chegou a Torres Vedras pelas 10h45.
Passados dois dias, em 6 de Setembro de 1873, a linha de Torres Vedras era aberta ao serviço público. A linha de Torres Vedras, muito mais extensa, com 54 km servia as seguintes estações: Campo Pequeno, Campo Grande, Lumiar, Nova Sintra, Santo Adrião, Loures,
Pinheiro de Loures, Lousa, Venda do Pinheiro, Malveira, Vila Franca do Rosário, Barras, Freixoeira, Turcifal, Carvalhal e Torres Vedras. A viagem demorava cerca de 5 horas entre Lisboa e Torres Vedras, pagando-se 900 reis em 1ª classe e 700 reis em 3ª classe.
Mais tarde e na necessidade de atrair passageiros, a Companhia fez uma redução nos preços dos bilhetes de Lisboa (Portas do Rego) a Sintra, a custar 400 e 300 reis, respectivamente em 1ª e 3ª classes e para o percurso de Lisboa (Portas do Rego) a Torres Vedras, os preços de 700 e 500 reis, em 1ª e em 3ª classes.
As crianças até 3 anos, ao colo, viajavam gratuitamente. As de 3 a 7 anos pagavam metade do preço dos bilhetes.
Cada passageiro tinha direito ao transporte gratuito de 15 kg de bagagem. As bagagens com peso superior eram transportadas pelos comboios de mercadorias, e como tal consideradas.
Os horários de qualquer das duas linhas sofriam constantes alterações. Primitivamente o número de circulações na linha de Sintra e na linha de Torres Vedras era de 3 comboios em cada sentido.

-------------------(algum texto em falta, brevemente disponível)----------------------------

 

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